Sozinho

A pessoa nasce em uma família de classe baixa, tem um enorme talento, faz sucesso muito novo, ganha muito dinheiro e não está satisfeito com sua aparência.

Modifica seu rosto sem parar, para que possa se sentir mais bonito, mais aceito na sociedade. Fora dos palcos, está sempre sozinho. Sente-se sozinho, mesmo rodeado de muitas pessoas. Tenta comprar amizades, mas a solidão não termina.

O dinheiro não para de chegar, mas a sua família quer mais, sempre mais. Sente-se explorado por eles. Não sabe com quem pode contar. Sozinho, continua cada vez mais...

Sofre um acidente, precisa de remédios analgésicos fortes. Começa a perceber que os remédios também ajudam na dor emocional. Com os analgésicos, sente-se menos só, a dor amortecida, apagada.

Cada vez mais os remédios passam a fazer parte do que ele é. Seu talento continua intacto, faz sucesso e o dinheiro vem, mas é enganado na ilusão de que o dinheiro pagará o afeto. Chegam intimações judiciais, acordos milionários, o dinheiro excedente logo se transforma em dívidas.

Mas a dor não passa. Os remédios têm que ficar cada vez mais fortes. A dor da alma... a solidão...

De quem estou falando? Do Michael Jackson, cuja biografia tem acompanhado meus dias... que triste talento solitário...

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