Vida no fim

Minha vida está acabando. Aos (quase) 50 anos, já passei mais da metade. Acho até que muuuuito mais da metade. A gente nunca sente a idade que tem. As rugas nos pegam desprevenidas: quando foi que elas, sorrateiramente, apareceram afinal?

Tem momentos em que sou a menina tímida da infância, a inconformada rebelde da adolescência, a responsável da idade adulta e até mesmo a "reclamona" que virei a ser (e sou às vezes) com a velhice...

Sou todas elas ao mesmo tempo. Não há uma parada entre uma fase e outra da vida, onde tudo se modifica e somos outra. Às vezes sinto como se vivêssemos papeis como atores, fingindo as atitudes que o mundo espera de nós com cada diferente idade.

Mas somos muito mais do que nossos papeis sociais. Somos a soma da nossa história de vida com a interpretação que tivemos dos fatos vividos.

As histórias de vida podem ser muito parecidas, mas a interpretação dos fatos é que faz total diferença...

Só espero deixar marcas positivas ou passar incólume pela vida dos outros. Meu único pavor é deixar marcas negativas, rancores e mágoas. Prefiro que a pessoa sequer lembre que eu existi do que pensar em mim com raiva.

E é assim que fiz a escolha de viver...

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