Coadjuvantes

Falamos ou fazemos jogo? Tenho pensado muito nisso, porque percebo que as pessoas falam como se fossem jogar uma bolinha e quisessem, de antemão, que ela fosse pega e jogada novamente pra eles.

Diálogos são muito raros de acontecer. Há uma conversa unilateral compartilhada no mesmo espaço. E quando as duas pessoas estão falando do mesmo assunto, muito provavelmente cada uma delas já estará pensando em "rebater" ao invés de ouvir.

Parecemos todos loucos. Talvez os consultórios psicológicos estejam mais cheios ultimamente, porque ali teremos quem realmente nos escute e preste atenção ao que falamos. Claro que por razões profissionais e ganhando pra isso.

Acabou a amizade que escuta, que oferece o ombro em silêncio. Temos que mostrar nossa imensa sabedoria de vida falando nossas pérolas. Mesmo que sejam lugares-comum, mesmo que a pessoa que está ouvindo já deve ter escutado a mesma coisa de dezenas de pessoas. Falamos como se fosse única, como se fôssemos detentores do saber mundial.

Mesmo porquê, hoje em dia, já nem nos falamos cara a cara. Os aplicativos de mensagens dão um jeito de nos manter em contato com as pessoas à distância. Quanto mais distante, melhor. O que está ao nosso lado, incomoda nossa digitação.

Nosso mundo interior já não nos pertence. Tudo tem que ser "compartilhado". Como se os outros fossem obter algum ganho das nossas fotos mostrando o que comemos ou onde fomos.

A taxa de suicídios tem crescido. Por quê? Por minha culpa, por sua culpa... Por estarmos sempre olhando alguma tela, compartilhando nossa indiferença e dialogando só sobre nós mesmos. O outro é coadjuvante. É como um figurante que está na nossa peça apenas para nos ouvir.

Deus, nos ajude a compartilharmos mais amor e menos fotos, mais perdão e menos egoísmo, mais encontros e menos redes sociais...

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