Todo dia a mesma noite

Ontem terminei de ler o livro "Todo dia a mesma noite", um não-ficção, que nos conta tudo que aconteceu na noite do incêndio da boate Kiss, no Rio Grande do Sul, onde morreram 242 jovens.

Foi um caso bastante marcante na história do país, há 5 anos atrás. Toda a imprensa cobriu esse fato incansavelmente. Soubemos de bastantes detalhes, mas o livro nos traz a humanidade. Conta sobre a menina que antes de ir, passou esmalte vermelho cuidadosamente. No outro dia, a mão esmaltada era capa da revista Veja, debruçada sobre o caixão do seu namorado.

São os detalhes... o filho que um mês antes de morrer no incêndio, ligou para o pai simplesmente para agradecer tudo que havia feito por ele. Uma despedida antecipada. Uma sensação ruim que ficou no pai...

É um menino de 18 anos que saiu ileso, mas voltou pra procurar seus amigos. Voltou para nunca mais voltar...

É uma cidade empenhada em ajudar no que podia: pessoas que transportavam desconhecidos de graça, pessoas que levavam água e alimentos aos familiares perdidos em sua dor...

Detalhes... pequenas coisas que nos trazem à humanidade novamente...

A princípio, achei o nome do livro bastante criativo. Mas depois percebi seu significado mais profundo. Para a família dos que perderam alguém, todos os dias são a mesma noite, porque a dor não passa. E não tem nem um nome, quando um pai e uma mãe perdem um filho...

Comentários

Postagens mais visitadas