Dia das crianças

No começo, era só choro e sono. Depois comecei a me erguer. Resolvi que tinha que tentar andar. Minhas mãos alcançavam os móveis mais próximos ou qualquer mão que se dispusesse a me ajudar.

Percebi que não havia somente eu no mundo. Havia mamãe e papai, sempre prontos a me amparar, alimentar, limpar, cuidar, amar.

Fui para a escola e vi que o mundo pode ser um lugar cruel. Já não havia mais mãos que se dispusessem a me ajudar e acabar com meu choro. Aprendi que as lágrimas param sozinhas, de algum modo elas terminam.

Caí, levantei sozinha... aguentei calada agressões dolorosas, vindas através de palavras duras. Guardei-me para lutas maiores. E elas vieram...

Tempo de escola terminado, começo do trabalho. Responsabilidades, contas, salário, desconto, siglas, INSS, FGTS, PIS, PLR...

Mamãe e papai começaram a precisar mais de mim. Já era a mão deles que eu tinha que segurar. Meu pai teve dois AVCs, fui eu que o ensinei a andar. Privilégio ter conseguido ensinar algo que ele me ensinou primeiro...

Meu pai se foi. Lágrimas. Lágrimas. Lágrimas. Tristeza sem fim, que fazia o coração doer. Saudades eternas. Ainda dói. Ninguém aprende a dizer adeus.

Agora minha mãe precisa que eu a lembre dos remédios, do que aconteceu ontem, do que aconteceu quando eu era bebê e que ela mesmo havia me contado. Relembrar por ela.

Mas hoje é dia da criança. E eu ainda continuo a mesma que, estabanada, precisava de uma mão amiga pra não esbarrar ou derrubar as coisas. Ainda choro muito, mas agora me escondo pra minha mãe não ver. Ainda quero segurar em alguém quando as coisas estão difíceis.

Eterna criança que sou, peço ao Papai do Céu que me ajude em minha jornada e que eu possa crescer na fé e no amor...

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